Identidade(s)

Atravessando várias gerações de compositores e poetas dos séculos XX e XXI, o recital “Identidade(s)” celebra a diversidade estética e expressiva da canção contemporânea portuguesa.

O Festival Projeto:Canção acolhe, uma vez mais, uma parceria com o MPMP Património Musical Vivo, no âmbito da qual serão apresentadas as obras galardoadas no Prémio MUSA, que nesta edição prestam homenagem à poesia de Ana Luísa Amaral. A par destas novas vozes da composição, o programa integra também obras de compositores de referência como António Pinho Vargas, Nicholas McNair, Amílcar Vasques-Dias e Fernando Lopes-Graça.

Com a participação da soprano Camila Mandillo, do barítono Luís Rendas Pereira e do pianista Filipe Gaio Pereira, este recital destaca a vitalidade, a diversidade e a relevância da canção de câmara no panorama artístico contemporâneo.

Programa

VASCO MARTINS (n. 2000) – Prémio Musa 2026
Oito Vislumbres do Mundo* para barítono e piano (Ana Luísa Amaral)
1. pássaro
2. voo
3. sol
4. paz
5. pavio
6. paradoxo
7. botão
8. noite

MARIANA VIEIRA (n. 1997) — Menção Honrosa
Escuro* para soprano e piano (Ana Luísa Amaral)

IGOR LEÃO MAIA (n. 1988) — Menção Honrosa
Mundo: Três poemas de Ana Luísa Amaral* para soprano e piano
1. O vento e a flor
2. Os Pássaros: Écloga
3. Identidade

AMÍLCAR VASQUES-DIAS (n. 1945)
A-MARIS para piano e banda sonora (2017)

ANTÓNIO PINHO VARGAS (n. 1951)
Nove Canções de António Ramos Rosa (1995)
1. Não tenho lágrimas
2. Não era um Barco
3. Ligado a uma Sombra
4. Um Tremor de Proa
5. Tacteio Sobre o Branco
6. Como Quem Levanta
7. Onde a Força do Vento
8. É por Aqui, mas o Caminho
9. O que Escrevo por Vezes

NICHOLAS MCNAIR (n. 1951)
Pictures from the Heart (Zayra Yves)
1. Purple lanterns and dragonflies
2. Madonna of the sun
3. The Star of Friendship
4. Ablutions

FERNANDO LOPES-GRAÇA (1906–1994)
O menino de sua mãe (Fernando Pessoa) (1936)

*estreia absoluta

Camila Mandillo | soprano
Luís Rendas Pereira | barítono
Filipe Gaio Pereira | piano

Luiz Costa e Joly Braga Santos

Programa

Luiz Costa | Sonatina para viola e piano
Allegro
Recitativo
Scherzino
Vivo

Joly Braga Santos | Canção para viola e piano

Joly Braga Santos | Concerto para viola
Tranquilo
Allegro enérgetico

Obras de Joaquim Gonçalves dos Santos

Programa

Joaquim Gonçalves dos Santos
Prologus, 6 Impressões musicais do Evangelho de São João (2001)
Dedicadas à pianista Ana Isabel Telles Antunes

In principio erat Verbum – No princípio era o Verbo: Maestoso e Solone
Omnia per ipsum sunt – E todas as coisas por Ele foram feitas: Poco Andante
In ipso vita erat – E n’Ele está a vida: Allegretto
Erat lux vera – E [o Verbo] era luz verdadeira: Ricercare
Et Verbum caro factum est – E o Verbo fez-se carne: Misterioso e Grave
Et Vidimus Gloriam eius – E vimos a Sua Glória: Allegro Vibrante

Impressões Bíblicas “Servite Domino in Laetitia” (2007)
Dedicadas ao pianista e organista Giampaolo di Rosa

Salmo 1: Meditações sobre o destino dos bons e dos maus.
(Justorum sors bona; Impiorum mala)
Largo expressivo / Andante grazioso / Adagio patetico
Salmo 132: Breve canto ao amor fraterno. A união fraterna é benção de Deus e é vida.
(Concordiae fratrum jucunditas)
Andante tranquilo / Andante mosso

A Noite de Natal

Catarina Távora – narração
Ana Ester Santos – harpa
Duarte Pereira Martins piano

Festival Música Viva: Peixinho Político

Jorge Peixinho é um caso singular na historiografia da música portuguesa. A ele devemos (afirmou Augusto M. Seabra) “o efectivo início de práticas musicais contemporâneas em Portugal”. “Nunca é demais recordá-lo”, disse o crítico. Porém, são demasiadas as vezes em que essas práticas são mal recordadas — reduzidas à introdução de uma estética serialista em contexto nacional, resumida de forma rápida pela sua frequência dos cursos de verão de Darmstadt.

Uma caricatura de tal modo esboçada deixa de fora o seu trabalho seminal na electroacústica, na música incidental para teatro ou no contacto com as práticas contemporâneas de outras disciplinas artísticas. Deixa também de fora o aguerrido trabalho de divulgação da música contemporânea, que Peixinho entendeu desde o primeiro momento como parte integral da sua actividade enquanto intérprete e compositor: desde os “succèsses de scandale” com primeiras apresentações de Cage em Portugal (na primeira das quais tinha o nosso compositor uns imberbes 21 anos), à criação dos primeiros cursos dedicados à música nova em território nacional, até à fundação do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa.

Também a sua participação em Darmstadt merece qualificação: a Darmstadt que Peixinho conheceu — e na qual foi ganhando gradualmente notoriedade — foi a dos anos sessenta. Em 1967 e 1968, Peixinho participa em dois seminários de Stockhausen, nos quais são levadas a cabo experiências de composição de grupo, que trabalham uma polifonia radical, deshierarquizada, composta a muitas mãos. Estas duas experiências — “apaixonantes”, escreve o compositor em correspondência — foram decisivas no desenhar do seu horizonte de futuro.

É aqui que nos juntamos a ele, com este concerto. Enquanto Stockhausen (como foi notado logo por alguns contemporâneos) se mostrava desinteressado (quando não mesmo antagónico) quanto ao potencial utópico destas suas propostas musicais, Peixinho tomou para si a tarefa de pensar o que seria uma música política. Numa originalidade absoluta no caso português — seja na “Primavera Marcelista” ou no PREC (como as obras deste programa), seja no período democrático até hoje —, nenhum outro compositor foi tão empenhado na expressão musical dos seus ideais políticos em música, e nos seus ideais musicais na política. As peças deste programa, com as suas partituras abertas à decisão individual e dependentes da escuta atenta entre os membros do ensemble, oferecem modelos de sociabilidade que podem ser descritos como democráticos. Se a política é o conjunto de actividades associadas à tomada de decisão em grupo, esta música é inerentemente política, muito para lá da frontalidade dos seus títulos. Estas peças são testemunhos vivos do espírito de resistência democrática ao regime salazarista e da vontade de construir um país melhor — e lembram-nos que, tal como a música, a política emerge essencialmente das nossas próprias mãos.

Programa

. CDE (1970)
. Elegia a Amílcar Cabral (1973)
. A Aurora do Socialismo (Madrigale Capriccioso) (1975–76)

Ensemble MPMP
Rui Borges Maia | flauta
Armando Martins | trompa
Miguel Costa | clarinete
Daniel Bolito | violino
Ângela Carneiro | violoncelo
Philippe Marques | piano
Francisco Cipriano | percussão
Luís Salgueiro | electrónica

Com a participação de Gisela Casimiro

Bilhetes: 5€ – 12€, consoante os descontos aplicáveis (ver bilheteira São Luiz)
São Luiz Teatro Municipal – Sala Bernardo Sassetti, Lisboa

Viagens pelo som e imagem

Programa

Cubículo
Tomás Borralho (música)
Tatiana Rosa, flauta transversal

Momentum
João Paramés (pintura) | Mário Chan (música)
Fábio Boavida, guitarra

O dia do desassossego
Ricardo Filipe Feio (curta metragem) | Edward Luiz Ayres d’Abreu (música)
João Nunes, saxofone, E. L. Ayres d’Abreu, piano [gravação]

História Aberta de Babel
Caterina Santiago (pintura in loco) | Duarte Pereira Martins (música)
Joana Pereira, flauta transversal

O Vulto da Consciência
Inês Garcia (pintura) | Tiago Cabrita (música)
Tatiana Rosa, flauta transversal, Natalie Gal, flauta transversal
João Luís Lopes, percussão, Sara Marques, soprano

Parcours de la Musique Portugaise au xxe Siècle

Fernando LOPES-GRAÇA (1906–1994), compositeur prolifique, est devenu l’une des figures majeures de la musique portugaise au xx.ème, aussi bien qu’un symbole musicale de l’opposition à la dictature de Salazar, à cause de ses convictions artistiques et politiques. Il dédie une grande partie de ses oeuvres au piano, où l’on rencontre son profond intérêt par le folklore portugais et sa notable maîtrise technique de ce qui était son instrument autant qu’interprète. On profitera pour entendre encore deux compositeurs incontournables du début du siècle, dont l’esprit musical portugais a certainement été une référence pour celui de Lopes-Graça: António FRAGOSO (1897–1918) et Luiz COSTA (1879–1960).

Programa Musical

António Fragoso | 7 Prelúdios
Muito vivo
Muito lento
Alegretto com graça
Alegretto molto
Calmo
Andantino
Vivo
Fernando Lopes-Graça | Glosas sobre Canções Tradicionais Portuguesas
Glosa I (da canção alentejana “De noite tudo são sombras”)
Glosa II (de uma cantiga Penamacor)
Glosa III (da canção alentajana “Cisirão, cisirão)
Glosa IV (do romance de Sta. Iria, de Manção)
Glosa VII (de uma cantiga bailada ribatejana)
Duarte Pereira Martins, piano

António Fragoso | Prelúdio em Dó
Luiz Costa | Prelúdios, op.9
Marcato
Tranquillo
Con vivacità
Lento
Soavemente
Moderato
Com espressione grave
Vivo e energico
Isa Antunes, piano

Fernando Lopes-Graça | Sonata n.º 2
Allegro giusto
Andante
Allegro Non Tanto
Philippe Marques, piano

XI Semana Aberta 2010

Apresentação dos objetivos do movimento e projetos associados e lançamento do primeiro número da revista Glosas (maio de 2010).

Programa

Ruy Coelho | Chanson
Raquel Camarinha, soprano; Ayres d’Abreu, piano

Luís de Freitas Branco | Sonata (1.º andamento: Moderado)
David de Sousa | Berceuse
Luiz Costa | Sonata (4.º andamento: Allegro)
Nuno Cardoso, violoncelo; Duarte Pereira Martins, piano

[O “atrium”, a “glosas” e outros projectos]

Lopes-Graça | Variações sobre um Tema Popular Português, op. 1
Philippe Marques, piano

António Fragoso | Sete Prelúdios
Duarte Pereira Martins, piano

Luiz Costa | Cacheiras da Serra, op. 14 n.º 4
Duarte Pereira Martins, piano

[“Debaixo de Olho”: uma crónica de Manuela Paraíso]

Ruy Coelho | 6 Kacides Mauresques
Ruy Coelho | Dans la Jetée d’Alexandrie
Raquel Camarinha, soprano; Ayres d’Abreu, piano

Concerto MPMP no I Concurso Olga Prats

Programa

Fernando Lopes-Graça | do Álbum para a Juventude
n.º 1 – Prelúdio
n.º 2 – Coral
n.º 3 – Rondel
n.º 4 – Chula
n.º 5 – Acalanto
n.º 6 – Folha de Álbum
n.º 17 – As Terceirinhas do padre Inácio
Tiago Oliveira, piano


Luiz Costa | dos Prelúdios, op. 9
I – Marcato
III – Con vivacità
VII – Con espressione grave
VIII – Vivo e energico
António Fragoso | Prelúdio em Dó
António Fragoso | Nocturno em Ré bemol
Isa Antunes, piano


Fernando Lopes-Graça | Sonata n.º 2
I – Allegro giusto
II – Andante
III – Allegro Non Tanto
Philippe Marques, piano

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