A pouca informação que se sabe sobre Vicente Lusitano (n? Olivença; m. c.1561) é-nos dada pelo biógrafo Diogo Barbosa Machado. Segundo o autor da Bibliotheca Lusitana, Lusitano nasceu em Olivença (que na altura pertencia à coroa portuguesa), ordenou-se padre e ensinou com grande sucesso nas cidades italianas de Pádua e Viterbo. Barbosa Machado trata-o por mestizo. Durante a sua estada em Itália, Lusitano envolveu-se num aceso debate com o teórico italiano Nicola Vicentino. Este debate esteve na orgigem do tratado L’Antica Musica Ridotta alla Moderna Prattica (1555), publicado por Vicentino. Lusitano publicou em Veneza, em 1561 o tratado Introduttione felicissima… (traduzido para português por Bernardo da Fonseca e publicado em 1603), um tratado sobre cantochão, compreendendo as matérias desde a mão Guidoniana até às regras de imitação num cantus firmus a duas, três e quatro vozes. Por volta de 1561, Vicente Lusitano converteu-se ao Protestantismo, procurando um posto na corte do Duque de Württemberg, em Estugarda, apoiado pelo ex-Bispo Pietro Paolo Vergerio, conselheiro do Duque. Apesar de ter sido pago por algumas obras que enviou para a corte do Duque, todavia não foi contratado, perdendo-se o seu rasto biográfico a partir deste ponto. A obra musical de Vicente Lusitano centra-se maioritariamente no livro de partes intitulado Liber Primus Epigramatum (não se conhecendo a existência de volumes posteriores), obra dedicada a Dinis de Lencastre, filho de D. Afonso de Lencastre, embaixador português na Santa Sé de 1551 a 1557. Este livro contém quinze motetes para cinco vozes, cinco motetes para seis vozes e dois motetes para oito vozes. | Luís Henriques