Matheo d’Aranda (Aranda de Duero, 1495? ~ Coimbra 15 de Fevereiro de 1548?), teórico e compositor de nascimento espanhol, teve um papel importante na música em Portugal, particularmente em Évora e Coimbra, na primeira metade do século XVI. Aranda terá estudado música com Pedro Ciruelo na Universidade de Alcalá de Henares por volta de 1524, dirigindo-se mais tarde para Itália, a fim de completar os estudos. Por volta de 3 de Abril de 1528 aparece já como mestre de capela na Sé de Évora, posto que ocupou até 26 de Agosto de 1544, data em que foi nomeado Lente de música na Universidade de Coimbra. Durante o tempo que permaneceu em Évora, Aranda ganhou grande reputação e admiração do então bispo daquela diocese, o Cardeal D. Afonso. Contudo, em Coimbra a situação parece ter sido diferente. Pelo relato do colega Juan Fernández, também ele espanhol, os professores portugueses sempre olharam Aranda com algum ressentimento pelo facto deste ser estrangeiro. Segundo Fernandez, Aranda terá morrido de “pura vexação”. O seu corpo foi trazido de volta a Évora para o funeral a 2 de Junho de 1549. Matheo d’Aranda publicou dois tratados sobre música (incorporando vários exemplos musicais). Estes são tidos, até esta data, como os primeiros do género a serem impressos em Portugal, apesar de escritos em castelhano. O primeiro destes tratados, Tratactado d’canto llano, foi impresso em Lisboa em 1533. O segundo, o Tractado de canto mensurable, foi também impresso em Lisboa no ano de 1535. O Cónego José Augusto Alegria identificou e atribuiu a Mateus d’Aranda o fragmento CLI/1-9d, que servia de forro a um antifonário pertencente ao Convento do Espinheiro (nos arredores de Évora), composto por dois fólios unidos, contendo, no topo, um Adjuva Nos Deus e, seguidamente, dois fragmentos de um Credo, ambos para quatro vozes, encontrando-se este fragmento na Biblioteca Pública de Évora (P-EVp).

Luís Henriques