Francisco Martins (Évora, 1617? ~ Elvas, 20 de Março de 1680) terá estudado no Colégio dos Moços do Coro da Sé de Évora, sendo aluno de Manuel Rebelo na Claustra da Catedral eborense. A 18 de Maio de 1637, enquanto colegial, apresentou um requerimento para lhe serem conferidas Ordens Menores. A 8 de Maio de 1640, declarando-se já morador na cidade de Elvas, pede para lhe serem conferidas Ordens de Epístola e, a 15 de Maio do ano seguinte, requere Ordens de Evangelho, intitulando-se já como Mestre de Capela da Sé de Elvas. A 27 de Maio de 1642 foi ordenado presbítero. Enquanto Mestre de Capela da Sé de Elvas, Martins tinha de ordenado metade duma prebenda, no valor de 200 mil réis anuais, cabendo a outra metade ao organista da Catedral. A 6 de Maio de 1666 recebeu 10 mil réis pelo serviço de música durante a Semana Santa daquele ano, dividindo-os pelos restantes músicos da capela. Em Janeiro e Julho de 1668 recebe a mesma quantia de 10 mil réis pelo serviço de música referente ao Natal e Semana Santa.

Francisco Martins foi enterrado no interior da Sé de Elvas. A sua obra musical encontra-se em dois livros de coro que pertenceram a esta sé, contendo duas missas, responsórios para a Semana Santa, salmos e hinos, estando actualmente depositados na Biblioteca Municipal desta cidade, que também possui um outro manuscrito contendo os Ditos de Cristo das Paixões da Semana Santa. Existe ainda um motete a cinco vozes, Domine, tu mihi lavas pedes?, conservado no arquivo musical da Sé de Évora e um vilancico para duas vozes conservado na Biblioteca Pública da mesma cidade.

Luís Henriques