Francisco José Perdigão (Évora?, 17?? ~ Évora, Dezembro de 1833) foi nomeado para os cargos de Reitor do Colégio dos Moços do Coro, Mestre da Claustra e Mestre da Capela da Sé de Évora em 1785, tendo permanecido nestes cargos até 1799, sendo exonerado em Fevereiro desse ano. De acordo com uma nota das folhas de pagamentos aos músicos, foi-lhe recomendado pelo Arcebispo que cantasse a parte de baixo com a remuneração de 30 mil reis por esse serviço. Porém, Perdigão aparece ainda nas folhas de pagamento dos músicos referentes a 1812, recebendo 120 mil réis como mestre de capela aposentado. É um dos compositores mais representados no Arquivo Capitular da Sé de Évora, com cerca de três dezenas de obras atribuídas, que se dividem entre obras escritas em estilo concertado, comum ao final do século XVIII, e obras em estilo antigo, influenciadas pela tradição polifónica dos compositores do século XVII —nomeadamente Frei Manuel Cardoso e Diogo Dias Melgaz — de quem foram copiadas obras para dois livros de coro (em 1785 e 1797) sob a sua direcção, assim como a “modernização” que fez da 1.ª Lamentação de Quinta-Feira Santa em 1822. Foi ainda autor de inúmeras cópias de obras que se encontram actualmente depositadas no arquivo musical da Catedral.

Luís Henriques