Damião de Goes (Alenquer, 2 de Fevereiro de 1502 ~ Alenquer, 30 de Janeiro de 1574) foi humanista, cronista, diplomata e compositor. Goes realizou a sua formação humanística na corte de D. Manuel, tendo sido colocado por D. João III, em 1523, como secretário da Feitoria Portuguesa de Antuérpia. Entre 1528 e 1534 viajou pela Europa, conhecendo eminentes humanistas e reformadores como Lutero, Melanchthon e Erasmo, com quem contactou em Basileia. Estudou em Pádua entre 1534 e 1538, tendo contactado com Pietro Bembo e Lazzaro Buonamico, mudando-se mais tarde para Lovaina, onde permaneceu seis anos. Publicou várias obras de carácter humanístico, o que lhe valeu perseguição pela Inquisição, tendo-lhe sido movidos dois processos pelo Tribunal do Santo Ofício aquando do seu regresso definitivo a Portugal, em 1545. Em 1548 foi nomeado guarda-mor dos Arquivos Reais da Torre do Tombo. O Cardeal D. Henrique escolheu-o em 1558 para escrever a crónica oficial de D. Manuel, completada em 1567. Em 1571, Goes foi alvo de novo processo pelo Tribunal do Santo Ofício, sendo preso e, no ano seguinte, transferido para o Mosteiro da Batalha. Entre os inúmeros humanistas e artistas que conheceu, destaca-se Glareano, que o elogiou enquanto compositor, incluindo um motete de Goes no seu tratado Dodecachordon, impresso em Basileia no ano de 1547. De Damião de Goes sobreviveram dois motetes de autoria confirmada, um para três vozes, Ne laeteris inimica mea, publicado por Glareano, e Surge propera amica mea, para cinco vozes, publicado nas Cantiones septem, sex et quinque vocum de 1545. É ainda a ele atribuído um motete a 3 vozes, In die tribulationis, do Libro secondo de li motetti a tre voce de 1549. A primeira parte do catálogo da livraria musical de D. João IV refere ainda outras obras deste compositor, assim como um tratado sobre música, entretanto perdidos.

Luís Henriques