Manuel Cardoso (n. Fronteira, Portalegre, 1566; m. Lisboa, 24 de Novembro de 1650) estudou música e gramática no Colégio dos Moços do Coro da Sé de Évora por volta de 1574-1575, tendo sido muito provavelmente aluno de Manuel Mendes nesta instituição. A 1 de Julho de 1588 entrou no Convento do Carmo em Lisboa, professando na Ordem a 5 de Julho do ano seguinte. Tornou-se mestre de capela e sub-prior deste convento, ganhando rapidamente fama pela sua habilidade musical e virtudes enquanto religioso. D. João IV tinha Cardoso em alta estima, possuindo um quadro do compositor na sua biblioteca musical.

Cardoso dedicou o livro de missas de 1625 a D. João (então Duque de Barcelos) assim como o segundo livro (de 1636) e o ‘Livro de varios motetes’ (de 1648), contendo música para o Advento, Quaresma, Semana Santa e Ofício de Defuntos. Cardoso dedicou ainda o terceiro livro de missas (de 1636) a Filipe IV de Espanha. Este livro termina com a ‘Missa Philippina’ que, segundo a dedicatória do livro, foi elaborada sobre um tema proposto pelo mestre da capela real Mateo Romero aquando da viagem de Cardoso a Madrid em 1631. Nesta viagem, Cardoso foi generosamente recompensado pelo monarca espanhol, que o convidou a dirigir os cantores da sua capela.

Manuel Cardoso foi um dos compositores portugueses a ver uma grande percentagem da sua obra publicada, imprimindo-se ao todo cinco volumes de polifonia, em 1613 (‘Cantica Beatae Mariae Viriginis’), 1625 (‘Liber primus missarum’) dois em 1636 (‘Liber secundus’ e ‘Liber tertius Missarum’) e em 1648 (‘Livro de varios motetes’), todos realizados em Lisboa na oficina Craesbeeck. Subsistem ainda seis motetes num manuscrito conservado actualmente no Museu Nacional de Arqueologia. A primeira parte do catálogo da biblioteca musical de D. João IV refere ainda cinco missas, um ‘Magnificat’, dois ‘Te Deum laudamus’, um ‘Salve Regina’, cinco salmos e dois vilancicos entretanto perdidos. | Luís Henriques